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à esquerda

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January 07

Fim

Este Blogue encerrou definitivamente. Desde 27 de Novembro estou noutro, em minha opinião, melhor, maís rápido e versátil.

Se entretanto alguém ainda passar por aqui  e quiser continuar a  partilhar comigo o meu novo espaço, estou aqui mais abaixo. Cliquem no link do

 

 A hora que há-de vir

 

Obrigado a todas e todos!

 

 

November 27

post scriptum

 
Lentamente estou a migrar para o Blogspot. Ainda não desliguei o space.msn, porque estou numa fase de experiência. Às amigas e amigos que quiserem continuar a visitar-me o melhor é começar a entrar por AQUI.
 
Tenho andado um bocado ocupado mas prometo voltar aos contactos mais amiúde com os Vossos blogues.
 
 
November 26

Expliquem-me como se fosse muito burro

Manuel Alegre ao Público de 24/11:

Não votou o Orçamento de Estado porque deu prioridade à sua campanha presidencial?

Foi uma avaliação política que fiz.

Não foi um problema de agenda?

Não. Foi uma decisão política. Este orçamento tem aspectos positivos, é um orçamento de verdade, duro, que não realiza operações cosméticas. A despesa baixa pela primera vez, de há muitos anos a esta parte. Mas continua a haver uma grande desproporção entre impostos directos e indirectos (...) E há outros problemas que me levantam objecções. Não estão especificadas as privatizações e há quem tema que uma delas possa ser a da rede eléctrica nacional, o que a verificar-se pode agravar a nossa dependência face a espanha. Tenho também muitas dúvidas sobre a Ota. (...) Agora o que disse e assumo é que um candidato a presidente deve defender a estabilidade e a governabilidade.

Se não fosse candidato presidencial o que teria feito?

(...) Neste momento sou candidato, pelo que, se não houvesse um número suficiente de deputados para o orçamento passar, ia votar e fazia uma declaração de voto. Assim, privilegiei a minha posição de candidato, propus o pacto económico e social e faço um conjunto de apreciações e sugestões no meu manifesto eleitoral que não são propriamente aquilo que surge no Orçamento.

 

Foi você que sugeriu outra entrevista?

 

 

Jerónimo de Sousa à Visão de hoje:

O PCP mantém relações com países não-democráticos?

[Pausa] O entendimento do que é democrático ou não dava-nos matéria para outra entrevista... De que é que fala? De países onde não há eleições ou pluripartidarismo?

Por exemplo...

Nós procuramos manter relações com partidos progressistas e democráticos de todo o mundo. Nessas relações, nós afirmamos, com muita clareza, que a sociedade por que nos batemos em Portugal diferencia-se de qualquer outra, seja de Cuba, seja da China, seja do Brasil. Temos um projecto próprio. Isto não invalida que acompanhemos os esforços de tal ou tal partido, para a defesa do seu povo. Mas não copiamos modelos, não temos um modelo de referência.

Há dias um jovem chinês foi condenado a 12 anos de prisao pelo que escreveu , na Internet. Acha isto tolerável?

[Pausa] Eu já estive na China algumas vezes e fico mpressionado porque nós, os chamados ocidentais, temos valores e formas de estar totalmente diferentes dos chineses. Tratar com ligeireza este ou aquele aspecto pontual, positivo ou negativo, e não estou a fazer qualquer apreciação, é um erro. Aquela é outra cultura.

 

tirado daqui

November 25

a acompanhar Francisco Louçã

 

Hoje estou a ter um dia cheio. O Francisco Louçã, está por cá e logo de manhã, pelas dez horas, acompanhado de uma comitiva de 10/12 pessoas, fomos visitar os Estaleiros Navais de Viana a única empresa de construção e reparação naval, existente no País e que emprega cerca de mil pessoas.

A visita começou com uma reunião com a Comissão de Trabalhadores e depois com a Administração da Empresa. Depois de se inteirar da situação com que os Estaleiros se confrontam e de ouvir os diferentes pontos de vista,  seguiu-se uma visita a todas secções de trabalho e um contacto pessoal com a grande maioria dos trabalhadores.

Em cada departamento os trabalhadores foram dando explicações sobre os processos de trabalho, desde o planeamento até ao acabamento final.  Era visível,  nos trabalhadores, um grande orgulho pelo trabalho que desenvolvem e pela empresa que sentem como sua, depois de todas as dificuldades porque passaram, para manter a empresa nos patamares de qualidade que é reconhecida por todos.

Após uma visita a um navio em construção, seguiu-se o almoço no refeitório com os trabalhadores e uma nova visita, agora aos serviços administrativos.

A meio da tarde, seguiu-se uma visita pelas ruas da cidade para contacto directos com as pessoas e distribuição de propaganda politica.

A visita aos Estaleiros Navais, correu muito bem. Não há dúvida que o Francisco Louçã tem um apoio muito forte nos trabalhadores.  Era frequente observar os trabalhadores a dirigirem-se-lhe para lhe dar uma palavra de estimulo, de força ou a manifestar o apoio à sua candidatura, referindo a sua coragem, a frontalidade e a seriedade com que enfrenta todas questões. A arruada foi um bocado prejudicada pelo mal tempo, mas os contactos com as pessoas decorreu sempre de forma muito afectuosa.

A esta hora, Francisco Louçã está a dar uma entrevista a uma rádio local e mais logo, às vinte horas tem lugar um jantar com apoiantes da sua candidatura a ter lugar no Restaurante Camelo, onde naturalmente vou estar presente.

Esta candidatura é sem dúvida uma grande candidatura, uma candidatura com ideias, com propostas e combativa, independentemente dos resultados que vierem a acontecer.

As outras candidaturas, andam com as suas querelas, nos choradinhos, nos ataques desabridos e sem conteúdo,  como é o caso das candidaturas de Alegre e Soares,  em disputa pelo lugar ao sol; a de Cavaco Silva é a candidatura dos poderosos e a de Jerónimo cumpre o papel que lhe está destinado mas sem chama.

 

 Também no "a hora que há-de vir"

 

November 24

ao correr do teclado II

 
Aqui (continuação) se quiser perder tempo para nada.
 
 

corrida à reforma

 
 
Este governo aumentou a idade da reforma para os 65 anos e 40 anos de desconto. Até ao fim do ano, ainda se mantém as actuais regras. Por isso é um ver se te havias de corrida à reforma.
 
Com esta medida, o governo empurrou milhares de pessoas para a reforma, mais cedo do que elas tinham previsto.
 
 
Em conclusão esta medida, atirou antecipadamente as pessoas para a aposentação, fêz diminuir os impostos e sobrecarregou ainda mais o sistema de segurança social. E retirou do mercado de trabalho muitos especialistas e gente de grande experiência profissional, sem que fosse acautelado a passagem de testemunho.
 
Talvez isso explique porque só agora, em 23 de Novembro, recebi  o IRS devido.
 
 
 
November 23

ao correr do teclado (I)

 

Aqui estou de novo, agora melhor instalado e com o portátil a dar-me cabo do juízo. De vez em quando dá-lhe para não escrever. Estão a imaginar, não? Está aqui um gajo, porreiro, a primeira linha que já devia estar escrita e quando olhamos para o ecrã, não aparece nada. Então, repito, uma vez, duas vezes, olho e novamente nada, uma vez ou outra, lá aparece uma letra, torno a insistir, mais uma palavra, olho e a mesma merda. Já estou irritado! Estou farto de lhe chamar os piores nomes, aqueles nomes que devem imaginar e outros que não vos passa pela cabeça. Eu quando estou furibundo, em dez palavras digo dez asneiras. É isso mesmo, todas as palavras são asneiras, daquelas que são condenáveis pela moral e pela igreja dos bons costumes.

 

 

Continua aqui

 

 

 

 

o secretário de estado da educação mente

 
O Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, nas vésperas da greve dos professores, divulgou  um estudo incompleto sobre a falta dos professores. A divulgação no dia da greve, só podia ter um propósito, atirar a população contra os professores. Não vejo outro motivo. Para além de que parte das faltas se deve a doença ou devido a maternidade.
 
O candidato, Francisco Louçã, justamente, denunciou a manobra e acusou de demagogia o secretário de estado e então vereador do CDS na Câmara de Penamacor de ter perdido o mandato por faltas injustificadas.
 
O Secretário de Estado e o Ministério de Educação, reagiram violentamente às afirmações de Louçã, acusando-as de falsas e exigiram um pedido de desculpas públicas.
 
Entretanto o Sindicato dos Professores da Região Centro vem confirmar as afirmações de Louçã, dizendo ter visto a certidão da acta da reunião de Câmara de Penamacor, datada de 07 de Dezembro de 1993 onde se diz que perdeu o mandato por excesso de faltas injustificadas.
 
O Bloco de Esquerda, pede a demissão de Valter de Sousa, porque mentiu à sua ministra, mentiu aos professores e mentiu ao país e como tal não tem condições para estar num lugar de responsabilidade quem procede assim com tanta leviandade.
 
 

não há nenhum clube do mundo assim

 
Ontem em Paris o Benfica levou milhares de Portugueses ao futebol. É impressionante como um clube Português, no estrangeiro, consegue pôr dezenas de milhares de vozes a gritar, Benfica, Benfica, Portugal, Portugal.
 
Digam-me que clube no Mundo consegue isto! O Benfica é sem dúvida o maior! Impressionante a força de um clube  e do futebol.
 
 
November 22

Ao correr da pena ou melhor dito do teclado

 

Estou agora no carro, sentado no banco, todo recuado, do condutor, o portátil à frente, aberto, pousado em cima dos joelhos e aqui estou a escrever, para dizer não sei o quê, mas vamos já lá, a barriga um pouco em cima do aparelho, porque o banco, onde me sento, já não recua mais e o volante também não se pode desviar, situação absurda que ilustra bem, duas coisas; uma barriga perceptível e preguiça, não disfarçadas com uma retirada estratégica para o banco ao lado, o chamado, lugar do morto.

Vinha eu a dar uma caminhada, pelo molho da praia norte, – em Viana do Castelo, a terra onde vivo há quase 50 anos, – coisa que cada vez menos faço, porque tenho um joelho que já não se usa e que não aguenta estas cavalgadas, salvo seja, apesar de operado e de quantidade enorme de injecções, infiltrações, fisioterapias, eu sei lá, (e que falta ele me faz para as minhas pescarias, exactamente, neste molho – não sei porque chamam molho a este coisa que entra pelas águas adentro, separando o mar do rio, para conter a entrada das ondas gigantes do mar e permitir uma atracagem, segura e suave dos pescadores, quando regressam da sua faina. Que palavra bonita esta!.. faina. Mais uma palavra que vou juntar à colecção de palavras bonitas, - curioso isto, porque só agora pensei nisto de coleccionar palavras bonitas. É o que dá estar aqui a escrever sem ter propriamente um motivo, um assunto concreto para dizer. Mas dizia eu… o que é que eu dizia?!.. Ah pois, já sei, tudo isto vem a propósito de, propósito…outra palavra que gosto. Ah é verdade, ao bocado, esqueci-me de dizer que uma das palavras que mais gosto é a palavra tanto. Tanto é uma palavra muito bonita, experimentem usá-la. Eu gosto TANTO de ti, por exemplo. É a minha palavra favorita.

Bem, então vinha eu a dar essa caminhada e esta minha cabeça, como sempre, sem um pequeno descanso. São turbilhões de pensamentos a fervilhar ao mesmo tempo. Fico desorientado. Não me consigo concentrar numa ideia só. Estou a pensar numa coisa e de repente salto para outra, um bocado como está a acontecer agora, ao escrever isto. Eu tinha uma ideia do que pretendia dizer, mas os acontecimentos dão-se tão depressa, temos tanto (aí está a palavra, digam lá se não é bonita), para dizer, tanta coisa para deitar cá para fora, que quando damos por ela, já estamos noutra. Ou porque nos faltam as palavras que melhor exprimam o que queremos dizer, ou nos falta o talento e achamos que há outros que dizem melhor e com poucas palavras o que nós pensamos, ou porque é melhor nem pensar bem no assunto, porque só nos vai trazer mais inquietação. Há tantos motivos, meu deus! Meu deus? Mas eu sou agnóstico porque recorri a ele! Tenho de me explicar melhor.

Ó porra! Daqui a pouco eu vou ter de terminar isto sem, ainda, ter dito nada e o mais provável, é mesmo, não dizer mais do que (nada) disse e ir parar aqui ao lado, à reciclagem, porque neste momento, já são dezoito horas e dez minutos, (como o tempo anda...) e daqui a meia hora, tenho de ir buscar a minha rapariga à ginástica.

A propósito (outra vez, a propósito?!... se calhar não gosto tanto desta palavra, como pensei, o que me falta mesmo, é um vocabulário mais rico e então agarro-me a algumas delas), porque é que as mulheres, apesar do seu trabalho profissional, dos filhos, dos maridos ou namorados para acarinhar, sim para acarinhar!.. da casa para tratar, da comida para fazer, da casa para arrumar, limpar, passar as roupas, ainda têm força e coragem para arranjar um tempo para si… para dar aos outros? São fantásticas estas mulheres!

Bem, tenho de acabar mesmo, hoje já não escrevo mais, já se passaram mais de dez minutos, falta-me tempo! Mas antes disso, esta do tempo que passa depressa, fez-me lembrar um pensamento meu (também tenho paternidade em pensamentos) que gosto muito e que vou partilhar, convosco e que é o seguinte: Os dias passam depressa, os anos passam depressa, porque é que o fim do mês demora tanto tempo a passar?

Agora é mesmo, talvez amanhã, continue, se me apetecer e não aparecer outra coisa que tenha de ser.

Continua..?

 

 

 

November 21

a perspectiva

 

  Eu não sou eu nem sou o outro

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
     Pilar da ponte de tédio
     Que vai de mim para o Outro.

 

Mário de Sá-Carneiro

 

November 20

Que Deus nos Perdoe

 

       O quarto está fechado. Sobre a mesa, repousa uma folha de papel A4 e, sobre ela, uma caneta caída num silêncio quase sepulcral.

       Cá fora, de rosto em rosto, corre um ar de amêndoa e há, em cada um, um olhar de pássaro magoado, enquanto no rádio passa uma música leve e abandonada. É Sexta-feira. E, apesar de tudo, um raio de sol cai a pique sobre uma flor lilás.

       Procuro reagir a esta manhã nitidamente despovoada, ocupada por espaços sem vontade nem regressos, e pergunto:

       - Que se passa?

       É Emília, as mãos cruzadas sobre o ventre, uma cara de anjo entristecido, que responde muito secamente.

       - Hoje o Senhor está morto.

       Adivinho que Emília se refere à pessoa de Cristo. Dou um jeito aos óculos e faço deslizar o olhar por sobre as árvores, por sobre as casas, por sobre a montanha até às nuvens. Penso: então o meu Senhor está morto! E quem mais, além de nós, o poderia ter assassinado? Será que não existe em cada um de nós um Judas e um Pilatos? Pois... Ele está morto. Convém, enquanto assim, fazer uma viagem, ainda que fugaz, por Angola, pelo Ruanda, pelo Afeganistão e dar um salto à Palestina e ao Iraque. Só por aqui... para ser mais rápido, e aqui, como sempre, lavar as nossas mãos como se a fome, a miséria, a morte, o ódio e a sacanice nada nos dissesse, nada tivesse a ver connosco. Depois fugir, calcando esta terra que vai bebendo o sangue da revolta e devorando corpos inocentes. Fugir à "ira" de Deus, não vá Ele fazer-nos a pergunta que um dia fez a Caím. Hábeis, sabemos disfarçar: fazer a guerra e matar em nome desse Deus. Culpá-lo. Não será nada pior... Ainda me lembro do tempo em que os nossos mais eminentes lideres religiosos, grandes aliados do poder de então, que corriam há hora do nosso embarque, para benzer batalhões que iam combater na guerra que se arrastava em Angola, Guiné e Moçambique. Mais aquelas ousadas e chocantes palavras do General:

       - Ouvis aquele clarim? - o General deixava passar um sopro de silêncio, mostrava o rosto de engolir crocodilos vivos e apontava com o braço enérgico - É a voz da pátria que vos fala.

       E o Cardeal, uma cara redonda e enrugada, com ar de pomba mansa, olhava o céu, endireitava as mãos na vertical, murmurava uma oração e, por fim, dizia:

       - Ide em nome de Deus. Matai pela pátria!

       - Não diga isso, senhor, olhe que é pecado - Pedia Emília.

       - E tu, Emília, sabes o que é pecado?

       - O senhor a dar-lhe com essas coisas...

       - Olha, para mim Jesus não está morto; mas sim ressuscitado. Vivo em cada um de nós!

       O quarto já está aberto. A folha de papel e a caneta são agora um convite a uma escrita assente na paz e no amor. Talvez o cenário colorido destes dias despidos de nós e que, para nós, mais deveriam ser de reflexão. Porque o Senhor não está morto.

       Dois dias passaram cobertos por um véu de compaixão e música de enterro. Na véspera, o teatro saiu à rua, sucederam-se as cenas e encenações, houve espectáculo. Deixamo-nos carregar com o "fardo pesado". Cumpria-se, assim, a tradição.

       Entretanto, é Domingo. Transportamos o Cristo pelas nossas casas, pelas ruas e mercados, damo-lo a beijar de boca em boca e anunciamos:

       - Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou!

       - Só agora?

       - E o senhor a dar-lhe com essas coisas...

       Como cegos, nem reparamos que Ele ainda vai pregado na cruz.

Depois, há festa. Doces e champanhe. E há foguetes, muitos foguetes a aterrorizar as aves. E, ao lado, está um nosso irmão com sede e não lhe damos de beber. E está um nosso irmão com fome e não lhe damos de comer. E não visitamos o nosso amigo que está preso. E há uma longa caminhada no nosso ideário: esta de sermos os eternos peregrinos do egoísmo.

       O